A ciência exata afirma que existe uma só energia cósmica,
não vendo diferença entre a energia gasta pelo viandante
que afasta o mato que obstrui seu caminho e o sábio experimentador,
que gasta uma quantidade de energia igual, pondo em movimento um pêndulo.
Nós ao contrário, sabemos que há todo um mundo
de diferenças entre os dois. O primeiro dissipa o mal, gasta
inutilmente uma força; o outro a reencontra e a guarda. É
claro que não me ocupo aqui da utilidade relativa desses dois
atos, mas somente o fato de que um põem em ação
uma força cega sem transmutá-la numa força potencial
superior de dinâmica espiritual, como faz o outro. A idéia
que desejo, pois, inculcar, é que o resultado da intelectualidade
mais elevada num cérebro científico, é a evolução
de uma forma sublime de energia espiritual, que na ação
cósmica produz conseqüências ilimitadas, enquanto
que o cérebro que trabalha automáticamente, retém
e conserva para si uma certa quantidade de força bruta, improdutiva
para o indivíduo ou para a Humanidade. O cérebro humano
é um inesgotável gerador de força cósmica
da quantidade mais refinada, extraída da energia bruta ou básica
da natureza e, o adepto completo se constitui centro dessa mesma força,
centro de onde irradiam as potencialidades que engendraram correlações
através das eternidades futuras, tal é a chave do mistério,
que lhe permite projetar e materializar dentro do mundo visível,
as formas que sua imaginação construiu por meio da matéria
cósmica inerte do mundo invisível. O adepto não
cria nada de novo e sim, utiliza e manipula os materiais que a natureza
tem em reserva, materiais que através das eternidades, passaram
por todas as formas.