RITUAIS
 
 

 

CONFIRMAÇÃO DO ANJO DA GUARDA

A cerimônia de confirmação do anjo da guarda é muito séria e, está sujeita a muitos erros.

Pessoas que se julgam muito sabidas consideram os umbandistas como muito supersticiosos. É que os umbandistas conhecem a força dos poderes ocultos de que todos nós dispomos, em maior ou menor grau.

Quando alguém, para resolver qualquer dúvida, deseja fazer a confirmação do seu ANJO DA GUARDA, transmite ao chefe do terreiro. Este convida 7 babalaôs que se reúnem para proceder o "jogo de búzios", por meio do qual OXALÁ diz a verdade e resolve a dúvida que aflige o consulente.

Feito o DELOGUN, o OGÂN do estado sai do Pegi e vai comunicar o resultado ao ogân do terreiro. Este, então, manda bater os atabaques e canta os pontos de anjo da guarda confirmado.

Servem-se bebidas correspondente ao anjo da guarda. Todos os presentes batem palmas em honra à confirmação. É um espetáculo cheio de beleza, mas no qual só intervem pessoas escolhidas, na hierarquia da seita.

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RESERVAR A CABEÇA

As expressões "fazer a cabeça" ou "reservar a cabeça" são de uso freqüente nos meios umbandistas. Com efeito, a cabeça é a parte nobre do corpo humano. É nela que o umbandista recebe o seu ORIXÁ que, tomando conta do "CAVALO", manifesta a sua vontade, dá os conselhos necessários e pratica a caridade.

Os umbandistas, por esse motivo, não gostam que qualquer pessoa ponha a mão em sua cabeça. O barbeiro que corta o cabelo pode estar, na ocasião, com o corpo sujo, ou "carregado" e, isso prejudica o médium.

De um modo geral, homens e mulheres com o corpo sujo de relações sexuais constituem elementos de perturbação espiritual. Assim, por exemplo, a enfermeira menstruada, se nesse estado, dá injeção em alguém, arrisca o doente a piorar. O corpo sujo é um veneno.

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FECHAMENTO DO CORPO

Trata-se de uma cerimônia de grande responsabilidade. A pessoa que vai dirigir esse serviço deve conhecer perfeitamente as mirongas de umbanda e os segredos da natureza.

Passamos a descrevê-la, pelo menos na parte que pode ser descrita. É necessária muita cautela, pois alguns curiosos sem instrução suficiente, cometem erros gravíssimos.

Realiza-se esta cerimônia em uma sexta-feira grande, isto é, sexta-feira que caia num dos quartos da lua nova, em hora "aberta" - 18 ou 24 horas.

O candidato compra uma roupa branca, virgem. Antes da cerimônia, o candidato toma um banho de "ERVA QUINADA", denominada "ISMAN DA LUA" e, bebe um pouco da seiva da referida erva. Depois, em local apropriado, fica completamente despido; a sua roupa de uso é retirada e queimada. As cinzas são lançadas em rio de água corrente ou no mar, na hora da vazante.

Com um punhal virgem, faz-se cissuras na testa, na nuca, nas costas, no peito, nas juntas dos braços, nas palmas das mãos, no joelho e nos pés do paciente,tudo acompanhados dos pontos próprios para a cerimônia. As pessoas que firmam os pontos durante a cerimônia ficam em local diferente.

Após esse ritual, passa-se no paciente ungüento que vem da COSTA D'ÁFRICA (lugar denominado LAGOS). É utilizado o seguinte material: alquidar de barro ou tigela de louça, velas de cera benta, um punhal virgem, sangue de Cristo (vinho), vinagre, pemba, sal, defumador, etc.

Ao terminar a primeira fase da cerimônia, o paciente veste a roupa branca nova. É-lhe proibido ter relações sexuais enquanto se executa o ritual.
Na sexta-feira seguinte, se for lua nova, faz-se a confirmação. Na frente de todos, o candidato fica deitado de costas, com os braços abertos tendo em volta 5 velas acesas, em forma de "círculo de Salomão". O babalaô inicia a cerimônia, após tirar os pontos cantados próprios acompanhado pelos presentes.

De costa para o paciente, o babalaô joga 27 punhais em torno do candidato, sem atingí-lo, pois todos devem cair de pé.

Inicia-se então outra fase. O candidato fica em pé, encostado em tabique de madeira, com os braços abertos. O babalaô de costas joga os punhais que vão ficar cravados no tabique, em volta do candidato, sem ofendê-lo. Palmas e cânticos acompanham o desenrolar da cerimônia. Terminada esta, o candidato distribui sangue de cristo a todos os presentes.

O babalaô apresenta então o paciente à lua, quando termina o ritual.

Os presentes devem tomar banho de descarga antes da cerimônia.

Faz-se também, o fechamento do corpo de crianças, ao nascerem ou ao completar 7 anos, porém, com outro cerimonial.

Esta cerimônia de fechamento do corpo exige muita fé por parte do candidato e muita competência do babalaô, sob pena de acidentes terríveis. A pessoa que se submete a esse ritual fica ligada ao espírito da NATUREZA, que lhe dá grande intuição. Todas as sextas-feiras, deve cumprir os preceitos e instruções que o babalaô lhe recomendar, após o fechamento do corpo. Do contrário, está sujeito a graves acontecimentos.

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MUCANDA CANGONGO

Segundo a maioria dos pesquisadores, a circuncisão é um rito de iniciação dos povos de ANGOLA. Significa a consagração, por sacrifício sangrento, da vida sexual a que o jovem vai ser admitido.

Foi introduzida na África pelos judeus e difundida pelos egípcios. Na tribo "QUIOCA", a circuncisão é um rito de iniciação na vida sexual e na vida social.

Começa de maio a agosto, na primavera, em noite de LUA NOVA, e dura de 2 a 12 meses, conforme as tribos. A idade dos candidatos varia de 8 a 18 anos.

Durante a MUCANDA (Ritual da circuncisão) o rapaz recebe a orientação do que vai necessitar no campo material e no espiritual. Quem revelar os segredos da mucanda será condenado à morte.

As mães entregam os filhos que, dentro de um ano regressarão "para serem recebidos ao som alegre das GOMAS PUITAS DE CLINGUVAS". Nesse dia, faz-se o maior batuque da lunda. Então, aos rapazes é dado a conhecer e experimentar os prazeres do amor. Já podem escolher mulher, porque já são homens.

Os meninos ou rapazes despedem-se da senzala, ao som do batuque. São entregues aos parentes que os acompanham na mucanda. Então o saba (chefe da tribo) declara em altas vozes que vai ter início a sagrada cerimônia da circuncisão.

Ao entrarem na BANBA - local da circuncisão - os rapazes perdem o seu nome. Depois da mucanda, recebem outro definitivo.

Durante as cerimônias da mucanda, são chamados OVINDANDAS. Os ovindandas (em nº de 50 em geral) entram na banba acompanhados: - pelos quimbandas, curandeiros, médicos operadores;

- pelos muquixes, símbolos dos espíritos que velam pela mucanda;

- Por um parente de cada OVINDANDA, seu companheiro, enfermeiro, guia espiritual e educador, nos 12 meses de aprendizagem na ESCOLA DA VIDA.

Depois da entrada na Bamba, no meio do barulho infernal, música e gritos, os quimbandeiros, ajoelhados junto dos ovindandas, fortemente agarrados pelos ajudantes de operador, praticam a circuncisão usando para esse fim, uma faca muito afiada, especial para o ato.

Os tan-tan dos tambores e os gritos dos homens abafam os gritos de dor dos ovindandas, para que os outros candidatos não os escutem.

Nas senzalas além da floresta, muito longe, as GOMAS E CHIFUNGOS tocam sem cessar para anunciar a todo mundo a realização da cerimônia sagrada da mucanda.

À medida que se vão fazendo as operações e depois dos quimbandas desinfetarem o local da incisão com cinza e farinha de mandioca, o que faz estancar o sangue, os parentes dos ovindandas, um após outro, tomam conta dos operados que, são logo conduzidos para longe da BANBA.


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