AS
IABÁS
As iabás são as cozinheiras do culto. A manutenção
de um terreiro ocupa muita gente, pois cada qual tem a sua função
própria. O chefe do terreiro, o Babalaô, além
de determinar o que deve ser feito, ainda preside às grandes
obrigações.
As
comidas dos orixás são preparadas com muita limpeza.
Tem grande poder alimentício e são temperadas com o
condimento adequado.
A
verdadeira bebida do culto é o ALUÁ. Prepara-se o aluá
com milho, fubá de arroz ou outra substância que dê
fermentação. É queimado para dar cor, havendo
o aluá branco e o escuro. O aluá contem gengibre que,
lhe dá um sabor especial.
Com
o evoluir dos tempos, foram sendo adotadas outras bebidas, como a
cerveja preta, a cerveja branca e a champanhe. O vinho e a o parati
já vem de longa data.
Os
ossos dos animais sacrificados não podem ser quebrados, porém
separados pelas juntas. Depois de servida a comida, os ossos são
reunidos e recomposto o esqueleto, sem as carnes e despachado tudo
para o lugar conveniente.
As
iabás tem uma ou duas cotas, suas auxiliares no serviço
doméstico.
O
material em que se prepara a comida de santo não é o
mesmo da cozinha comum. São panelas de barro e colheres de
pau. Tudo é feito em local separado da cozinha comum. Sobre
a panela, coloca-se uma tampa de barro. Em cima desta, coloca-se uma
bandeja com um copo d'água virado. Sobre o copo, há
uma vela acesa. Sob essa armação, é que se prepara
a comida do santo.
A
comida feita na panela de barro é muito mais saborosa que a
feita na panela de metal. O pão feito no forno queimado a lenha
também é melhor.
Pronta
a comida, é servida quando o babalaô dá a ordem
para ser arriada. Come-se sempre à noite, observando o ritual.
Exige-se
da IABÁ muitas qualidades morais e um grande asseio corporal.
O
OXÔGUM
O
Oxôgum é a pessoa que sacrifica os animais nas grandes
cerimônias do culto. O oxôgum sacrifica somente animais
de 4 pés e o oto-oxôgum os de 2 pés. O oto-oxôgum
é ajudante do oxôgum.
A
cerimônia do sacrifício dos animais é interessante.
Tratando de pombo, galinha, etc., o Oto-oxôgum torce lentamente
o pescoço da ave até que morra. O animal de 4 pés
(bode, cabra, etc.) é sacrificado com as duas patas dianteiras
voltadas para a frente, não podendo o animal berrar, colocando-se
um punhado de capim em sua boca. Enquanto o animal estiver mastigando
o capim, faz-se o sacrifício.
Após
a matança, tira-se o ache. Para a cerimônia coloca-se
o animal sobre um pano vermelho e preto, que também o envolve
pela parte de cima. Um alquidar de barro recebe o sangue da vítima,
que é cercada de velas acesas, de qualquer tipo.
Os
animais são lavados antes da cerimônia e não devem
estar doentes. Denomina-se obé a faca própria para a
matança.
O
ritual da matança pode ser feito com duas intenções:
para o bem ou para o mal, pois o culto precisa conhecer a lei da equidade.
Somente o oxôgum e o oto-oxôgum estão preparados
para efetivar a matança.
No
culto NAGÔ, KELÊ é a pessoa encarregada de raspar
e pintar a cabeça das IAÔS, a fim de assentar o OBORI.
O pessoal da matança é obrigado a estar em condições,
isto é, com o corpo limpo. Se o animal berrar ou esparramar
sangue pelo chão, a matança não serve.
O
ritual do sacrifico é acompanhado de pontos cantados.
Nem
todas as pessoas podem assistir as cerimônias. Somente as que
forem escolhidas. Depois da matança, tira-se os pés
dianteiros, a cabeça, o rabo, que são entregues ao oxogum,
para completar a cerimônia. O corpo do animal é, então,
entregue a IABÁ (cozinheira) para preparação
da comida.